segunda-feira, 26 de março de 2018

Dick Haskins (1929-2018=

Era o último dos grandes do policial: Dick Haskins morreu a 21 de março. Um dos mais traduzidos autores do policial.

Que tal V. tentar saber quem são? Dick Haskins, Rossy Pinn, Dennis McShade?

O policial é uma máquina narrativa simples e eficaz. Um pouco como os blues ou o fado, corre o risco de ser repetitivo, pois recorre a um conjunto de recursos elementares. O detective que busca encontrar a solução para um mist´rio (como o do e na palavra anterior) ou o culpado para um crime. 


quarta-feira, 21 de março de 2018

Hunter Thompson e a sua inspiração em Menard quixotesco

"The word quixotic derives, of course, from Miguel Cervantes’ irreverent early 17th century satire, Don Quixote. From the novel’s eponymous character it carries connotations of antiquated, extravagant chivalry. But in modern usage, quixotic usually means “foolishly impractical, marked by rash lofty romantic ideas.” Such designations apply in the case of Jorge Luis Borges’ story, “Pierre Menard, Author of the Quixote,” in which the titular academic writes his own Quixote by recreating Cervantes’ novel word-for-word.
Why does this fictional minor critic do such a thing? Borges’ explanations are as circuitously mysterious as you might expect. But we can get a much more straightforward answer from a modern-day Quixote—an individual who has undertaken many a “foolishly impractical” quest: Hunter S. Thompson. Though he would never be mistaken for a knight-errant, Thompson did tilt at more than a few windmills, including Fitzgerald’s The Great Gatsby and Hemingway’s A Farewell to Arms, from which he typed whole pages, word-for-word “just to get the feeling,” writes Louis Menand at The New Yorker, “of what it was like to write that way.”

Disponível aqui: http://www.openculture.com/2017/06/hunter-s-thompson-typed-out-the-great-gatsby-farewell-to-arms.html

Hunter Thompson, personagem incontornável da cultura marginal americana do século XX, é também a inspiração de Spider Jerusalem, personagem principal de uma das grandes bandas desenhadas americans- Transmetropolitan de Warren Ellis e Darick Robertson.

https://www.theguardian.com/books/booksblog/2016/mar/07/transpolitan-90s-comic-donald-trump-transmetropolitan-warren-ellis

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Da paródia e da sátira

Método: dominar o referente original.

A paródia: «the Nobby», Sacha Baron Cohen. Aqui.

O original: aqui
 À volta das grandes metrópoles contemporâneas vivem hoje milhões e milhões de indivíduos. A sua marginalização da vida política e social põe a descoberto a falência de um sistema que, discriminando, dá origem às categorias de exclusão.



http://www.buala.org/pt/a-ler/africas-e-marginalidade-uma-recensao-de-voci-dal-margine-la-letteratura-di-ghetto-favela-front

sexta-feira, 16 de março de 2018

«Nem sempre a gente sabe o que está filmando»

«(...) Da mesma época, nas segundas imagens amadoras, no passeio de uma rua brasileira, uma mãe, a criada negra e uma criança. A pequenita dá os primeiros passos, a câmara familiar capta-os, mas também à criada a sair da frente da câmara sem que ninguém lhe peça. Quando a menina avança, a criada recua, vai pôr-se ao fundo, ela é do quintal, não faz parte daquele mundo. A voz: "Nem sempre a gente sabe o que está filmando." A câmara, sem querer, mostra as relações de classe no país. Os factos são os factos, mas às vezes não os vemos, haja uma voz para nos conduzir aos factos.»

Crónica (com marcas literárias mas não literária de intenção - e porquê? a pergunta aqui fica - de um grande jornalista-cronista, Ferreira Fernandes. Para ler na íntegra, a quem interessar, no DN de hoje

Em alguns thrillers, este é um motor da intriga: um turista está a fotografar uma estátua e, sem dar conta, capta um crime ao fundo - e a partir daí tem bandidos a persegui-lo sem saber porquê.  

quinta-feira, 15 de março de 2018

Retórica e ideologia

Quando falamos - emitimos um discurso - o que dizemos pode ser aproximado como um texto literário: o que julga dizer e o que, mesmo sem saber que o diz, diz.

Todos nós fazemos isso. Um exemplo: se alguém escrever: «Eu checrevo munto bem, purque estudei», há duas leituras: a que escuta o que a pessoa diz pelo 'conteúdo' (eu escrevo bem) e a que apercebe o que o texto também diz, pela 'forma': eu não sei escrever.

Outro exemplo é o já clássico, que felizmente virou piada: «Eu não sou racista mas...» Aqui podemos mesmo dividir o texto em duas partes, A e B. O «mas» geralmente é o gato com rabo de fora que põe em causa a afirmação com que a frase abre.

Por ideologia entenda-se uma constelação de valores. Por retórica entenda-se o modo como o texto se organiza.

Num sentido mais restrito, a ideologia é partidária, tal como a política é uma coisa «dos políticos» ou a retórica a arte de bem persuadir levada à excelência pelos Jesuítas.

No sentido que nos interessa, todos os textos se organizam retoricamente.

Tomemos o caso de um bêbedo de caricatura, bruto e com poucos estudos. Perguntemos-lhe o que é uma metáfora ou uma metonímia. Não sabe, a maior parte das pessoas não sabe, tal como nem grande parte dos alunos de literatura ou linguística sabem o que é um zeugma ou uma hipálage. Uma coisa, no entanto, é não saber definir, ou nem sequer o que é, outra muito diferente é não recorrer a esse arsenal à disposição de qualquer falante. E basta que esse hipotético bêbedo se zangue connosco para remoer: «Eu parto-te os cornos, meu ganda boi.»

O que, reconheçamos, é um bom uso da metáfora e da metonímia.

Aqui, um caso real com um político brasileiro, o sr. Bolsonaro. 

quarta-feira, 14 de março de 2018

BD: Alan Moore, Frank Miller, Art Spiegelman

Hoje falou-se em aula, de passagem em Alan Moore. Por coincidência saiu este artigo no The Guardian sobre um livro «menor» do autor.


The Killing Joke at 30: what is the legacy of Alan Moore's shocking Batman comic?

Published three decades ago, Moore’s take on Batman has been polarising readers ever since, with the writer himself calling it a ‘regrettable misstep’ – but is there good to be found in this violent and troubling comic?
The Joker in Alan Moore’s The Killing Joke
 The Joker in Alan Moore’s The Killing Joke. Photograph: DC Comics

When The Killing Joke was published, 30 years ago today, it was instantly hailed by critics as the greatest Batman story ever told. Written by Alan Moore, the comic won an Eisner award in 1989, hit the New York Times bestseller list a decade after it first came out, and was adapted into a R-rated film. The ripples have been felt across superhero comics ever since.

It is an important comic book for many reasons, not all of them worth celebrating. The 46-page psychological slug-fest posits the ultimate standoff between Batman and his oldest foe, the Joker; the green-tressed villain wants to prove that all it takes to make a sane, ordered person slip into madness is “one bad day”. His bad day being when his wife and unborn child died in a tragic accident, the Joker suspects that Batman has had his own formative, shocker of a day at some point – which readers know is right, since he saw his parents gunned down in front of him as a child.
But it is not the Batman who the Joker wishes to drive mad – they’re both already there, in their own, very different ways. The subject of the experiment is Commissioner Jim Gordon, who the Joker kidnaps, strips naked and exposes to a nightmarish, de-humanising experience in an abandoned funfair. (...)

Exame - 20/6, sala B 0.6, 14h

O exame de melhoria e/ou final será dia 20 e não 18, conforme fora inicialmente anunciado. Quem tiver algum problema, contacte-me.